quinta-feira, 6 de novembro de 2014

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Eu ficaria com você muitas vezes
Muitas e muitas vezes
Mas não sempre
Porque não sou de sempre

Eternidade fica na chama
Que se vai
Fica na cama
Naquele fogo
Do teu gosto

Desejo de ter aquele olhar
Sobre o meu corpo


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Você apareceu
Provei teu encanto
Entrei no teu peito
Cada carinho
Todos os olhares
Pura intensidade
Abraço apertado
Calor de teus beijos
Muitos detalhes
Tuas tatuagens
Camila
Uma luz mágica
Um afago suave
Sorriso radiante
Vimos a manhã
Nascendo rosa
Nos coroando
Noite perfeita
Sempre lembro
Guardei suas asas
Tesouro precioso

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Dividir a intimidade
Do espaço extremo
Unir a proximidade
Do privativo
No uso comum
Separado
Estreito
Apertado
Compartilhando os olhares
Dos espaços sem limites

domingo, 5 de outubro de 2014

De pensar como quer
A entender a vontade
Dos olhos que tocam
Sentidos que almejam

Na forma divisa
Do berro estridente
Na face que cala
Dos laços desfeitos

No pé de bondade
Nasceu uma flor
Que foi arrancada
Com torpe pudor

Do que fui a não ser
Se não foi o que fiz
Do querer que tivesse
O desejo mais íntimo

Saber por que quer
Sendo ser o que é
Estender o que sente
E estiver ao alcance

sábado, 4 de outubro de 2014

Enquanto existir o que existe
Que exista o que for possível

Muros não falam em vão
Paredes reivindicam

Enquanto existir o que existe
Que exista o dever de fazer

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Não foi fragilidade
Cair em desalinho
Depois que teus lábios tocaram os meus

Você me surpreendeu na ponta dos pés
Um suspiro
Um passo em falso

Não foi sem aviso

O desequilíbrio
Esse foi meu





quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Não sou obrigado a ser feliz
Não tenho que ser feliz sempre
Não é crime ser pobre
Não é crime morrer

Tem um tempo que tristeza não faz passar
Tem um tempo que nada não importa

Calado deixo os olhos dizerem
O que não me esforço pra falar

Faz sentido vencer o que não faz sentido

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Eternizou a saudade
Dentro do meu peito
Aqueles momentos
Que tivemos juntos

Penso no sol e calor
Dentro do meu peito
Terra que você pinta
Com sua própria cor

Deitei numa sombra
Na praia estendida
Dentro do meu peito
Você fez seu abrigo

Então olho o horizonte
Agora vejo um sorriso
Dentro do meu peito
Esta praia de sol e calor

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O JUGO DO TEMPO

O tempo é cruel
Encarregado de acabar com tudo
O tempo é carrasco
Fica a seu cargo levar e trazer
O tempo é perverso
Carrega pelos teus cabelos te arrastando
O tempo é covarde
A seu encargo fica o esquecimento
Do outro lado do rio
Que eu ainda não alcanço
O tempo é sagaz
Escorregando pelas entranhas
Pelas entregas
O tempo é indômito
A seu encargo fica a hora de parar
O tempo é teimoso
Ele simplesmente não te ouve
O tempo é tinhoso
Ele é quem dita hora de colher e plantar
E se você acha que cansou o tempo
Que enganou ou amansou a fera
Te espera
Te atenta
Te afere que o tempo é medonho
Que o tempo te pega

domingo, 21 de setembro de 2014

Me chamou carinho
Me deitou feitiço
Me refez tua
Me afagou sem medo

Me soprou delírio
Me agarrou cabelos
Me amou decidida
Me deixou aflito

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Moro nessa cidade como um todo
Percorro o mesmo caminho por anos
O transito é lento e os crimes são muitos
Sufocaram todos os rios e os mananciais

Nove ilhas se perderam
Uma ilha artificial se formou
Nos aterros sucessivos
Removendo as montanhas

Nessa ilha um universo
Na cidade que não chegou
Do caminho de minúcias
Vejo o mundo minha ilha

No antes que não vivi
Faltou pequena distância
Mas no sonho do tempo
Não era tempo de sonho

Na fonte do que foi agora
Careceu grande preparo
Veio no de repente o salto
Preso no que não devia ser

Foi-se o arquipélago da foz dos lindos rios
Não à toa o Seio-Mar é poluído e podre
Sufocaram todos os rios e os mananciais
O transito é lento e os crimes são muitos

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Não vi a ponte
Não encontrei Drummond
Passei por ali
Topei seu caminho
Mas não o vi
Daquela ponte que não vi
E nem cruzei
Tirei lição
Não vi Drummond
Sei que ele ia achar essa cidade muito diferente
Cruzei as praças
Subi as avenidas
E não o vi
Eu sei que ele estava por ali
Observando
Por trás dos óculos e do bigode
E muito além da praça sete
Muito além daquela ponte

domingo, 14 de setembro de 2014

Nunca avistei prédios que fossem tulipas
Nunca manobrei carros que fossem petúnias
Sempre percorri  flamboyants que eram caminhos
Muitas vezes adentrei bouganvilles que eram moradas

Por vezes cruzei onze-horas que eram muralhas
Me abriguei em salgueiros que eram choupanas
Subi muitas montanhas que eram mangueiras
E sempre vi uma rosa como fosse relicário

Sempre tive alfazemas destilando perfumes
Canas-de-açúcar sempre me ofertaram néctar
Muitas vezes coqueiros me serviram bebida
Outras tantas bambus me proveram jangadas

Longos suspiros sempre brotam de orquídeas
Há por vezes das belezas que se prezam lírios
Magnólias que sempre amansam olhares
Calêndulas que nunca jamais decepcionam

Bananeiras sempre mostraram ter coração
Não deixo de ver avencas sendo móbiles ao vento
Marias-sem-vergonha sempre me fizeram feliz
Bocas-de-leão sempre me provocam sorrisos

Tem vezes que me sinto samambaia-chorona
Cravo-da-índia dá ao doce um amargo de sangue
Tomo banho de manjericão pra cortar mau-olhado
Ponho galho de arruda na porta pra ser cadeado

Adormeço no abrigo frondoso do ipê-amarelo
Desperto com café me deixando acordado
Azaleias fazendo brilho no canto dos olhos
E pimenta vigor do meu corpo fechado

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

domingo, 7 de setembro de 2014

Incrível aula de equilíbrio da habitação nos morros
Escalando
não tem limites
quanto tijolo
levado ao alto
Ergue-se
Da Praia de Fora nas fraldas do Morro Cara de Cão
Ao Paço por detrás do Morro de São Sebastião
Manguezais
Canaviais
Cafezais
Extratificadores vegetais

Engenhos
Caminhos
Capitais
Extratificadores  minerais


Sinto quando te vejo
Desejo intenso

Prazer que desejo
Desejo teu corpo

Distraio-me com os pensamentos
E o ato de escrever
Calcado no eterno aprendizado
Me afeiçoo

sábado, 6 de setembro de 2014

Ela já tinha um amor
E quando eu penso encontrar amor verdadeiro
Não penso uma pessoa
Mas uma forma de amar

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Adeline
A busca interior
A íntima cura do ser
Alçar o amor eterno
Gerar o mais puro amor

Adeline
O brilho profundo se pode ver
Além da superfície do teu ser
No instante que a luz reflete
Dentro dos teus olhos glaucos

Adeline
Essa luz não é apenas uma cor
Energia colorida pelo bem que faz
Alimenta a vida que brota do amor
E ilumina como um abraço apertado

Adeline
No conforto de um carinho teu
O sentir ultrapassa o que se sabe
Não te conheço além da tua serenidade
Mas uma fera aguarda detrás das cortinas

Adeline
Há um doce encanto no teu sorriso
Que desperta intenso o meu desejo
Tuas mãos suaves afastam os meus medos
E gentilmente se aproximam do meu peito

Adeline
A felicidade projeta o futuro
Num caminho repleto de flores
Harmonia dos sons e dos voos
Delicadeza encanta dos sonhos

Adeline
Tenho pensado uma canção
Prazerosa de paz infinita
Quanto mistério exerce em ti
Incansável movimento em equilíbrio
Sentimentos já não valem mais de nada
Movimentos já são os mesmos esperados
Fatos são apenas fatos


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Jabutis
Respeito sua existência
Gosto de jabutis
Antes viviam livres
Para quem convive com eles
Penso como era por aqui
Dentro da mata atlântica
Soltas buscando suas vidas

Me identifico

Não sei
Quando as percebo
Aprendo muito com elas
Sentado fico olhando
As observando por anos
Admiro como elas vivem
Estão na velocidade certa

Mesmo no seu casco rude
Há uma doce suavidade
Nos nódulos calcários
Da sua maturidade
Alinhamento simétrico
Penso se pensam
Se conhecem o limite que as cercam

O que querem
Dou um carinho
Gosto desses répteis
Penso nos dinossauros
Dou comida
O que sentem

Parecem não entender minhas carícias
Andam lentamente fortes
Poderiam percorrer longas distâncias
Tomar grandes territórios em poucas horas
Parecem curiosas
Ganham caminho
Vasculham os cantos

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Nunca mais será igual
Ter você comigo
Deu vontade de chorar
Ver seu sorriso
Olhar nos olhos
Abraçar com jeitinho
Sentir felicidade
Teve um tempo que eu não podia cruzar a ponte
O que encontraria do lado de lá
Um acontecimento que não se previa
Não assentava o prumo
Apareceu de repente
Mantive o rumo
Cosmicamente consciente
Realizando o passo-a-passo
Despenquei pra aquele aglomerado
Do outro lado da ponte
Sumi no meio do mundo

Sentei a sombra de uma figueira velha
Onde muitos de mim já se sentaram

Eu não vi o desejo na gota de orvalho
Carrapicho na paixão
Cresceu mato na casa
Rodeou o amor
Cobriu as janelas
Caiu chuva na varanda
Cresceu erva daninha
Nos fundos do quintal
O esforço que exitou
A prova que a obra
Executava o trabalho





A cabeça é uma coisa doida
Demora entrar no eixo
Precisa de choques e traumas
Pra constituir efeito

Bonsucesso em 1 minuto
Existe no limite entre Ramos
E Manguinhos
Cruza a seu centro nervoso
Minha doce amada
Av. Brasil
Cerca de 4km
De traçado
Da 11 a 7
Na seletiva
Nenhum obstáculo a frente

Caríssima Av. Brasil,

Não engarrafe
Não se afunile
Não imprense
Os belos carros
Minha pedra filosofal
Ave avenida
Habemus Avenida Brasil
Oh queridíssima Av. Brasil
Do tanto que te conheço
Do tempo que passo em ti
Tenho a intimidade de falar
MANIFESTO ANTI-COMUNISTA

Somos miseráveis catando migalhas no chão!
Guardem seus sorrisos para os seus, falsos!
Qual o prazer do sujeito em comprar seu próprio maço de cigarros?
E o prazer que o sujeito indivíduo tem em fumar o seu cigarro até o fim.

Na divisão do trabalho
Na produção
No consumo

Lembrando do nosso primeiro beijo
Meu peito se abre
Sinto o ar quente penetrar
Meu corpo inflar meus pulmões
Penso meus lábios
Tocando com os seus
Suaves lentamente
Encontro meu rosto ao seu narizinho
Levemente
Alongo os olhos pra ver os seus
Vejo sua boca
Seus lábios são a praia que eu quero namorar
Tua língua que eu quero aprender a falar
Tua saliva pra me afogar
Neste sonho adormeço
E na paz me refaço
Evocando este momento
No tempo-espaço
Distante do agora
Retorno ao começo
Lembrando do nosso primeiro beijo
Me sinto um verme
Deito pra dormir
Ideia não é muro
Não me fecha
Nem bloqueia
Ideia me cansa
Não sai do papel

terça-feira, 19 de agosto de 2014

ESTE MEU AMIGO PROFESSOR

Ele sempre me diz que não pode parar
Que está sempre saindo e que vai trabalhar
O que será que ele faz pelas ruas da Lapa
Ele me disse também que dá aulas no Humaitá
O que faz pelos becos este professor taciturno
Quando sai pra trabalhar
Vestido como operário
Qual será seu itinerário
Quando vai da Lapa ao Humaitá
Das ruas chiques aos bares absconsos ele transita
Sem perder seu chapéu
Encosta nas praças
Esbarra e topa às esquinas
Com sua Gramática embaixo do braço
Um ás na manga
E o dominó no bolso
Entra no ônibus sonhando com os antigos bondes
Quando chega a sua casa
Em seu reduto na Zona Norte
No bairro tradicional e nobre
Do Eng. da Rainha
Onde os bambas se reúnem
Nessa hora de recreação
Ele reflete sobre sua labuta
A aplicação dos generosos alunos
E a dedicação estatutária de professor
A doação de ser educador
A alegria, a glória e o dom de ensinar
E de aprender na rua o que ela pode ofertar
Em sua sala de aula na Lapa
Ele se apega a "gramática para o bem-falar"
Quando sai do trabalho
Ele se apoia ao balcão daquele bar
Depois que sai daquela escola no Humaitá
Ele senta junto àquela mesa
Ao som do samba deixa de ser servidor
Passa a menestrel, larga a gramática, tira o chapéu, e,
se sentindo Dioniso, canta sem amargura ou pudor
Feliz com seu copo de cerveja e os seus queridos
Este meu amigo professor

sábado, 16 de agosto de 2014

Mais próximo do passado
No antes que se conhece
Houve um momento
Que vi nos olhos cintilantes
O incrível deslumbre
Que me encantou
Desse passado distante
Adentrou pelo futuro
E pousou no presente
Um encanto maior
Do antes ao agora
Ficou intensa lembrança
Que não se desfaz
É um laço passado
E repassado no finco
Da linha do tempo
Eventos na memória
Não esquecidos jamais
Fizeram chegar até aqui
Esses sentimentos
Que preservam em mim
Um amor imenso
Não sei o que é
Talvez não exista
Mas todos procuram
Todos querem encontrar

Já senti por perto
Ousei tocar
Névoa lilás
Se desfez no ar


As palavras não dizem nada por mim
Que de palavras diz não me ter
Tem o que eu sinto e palavras

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Silêncio amanhece ruídos
Luz acorda colorações
Cores avivam olhos
Calor celebra ações
Janela abençoa frestas
Raios tilintam devaneios
Vozes abonam arpejos
Dia apaga penumbras
Coloridos abrem coração
Melodias acolhem ouvidos
Cometas dançam melindres
Estrelas cantam maviosas
Cavalos flutuam cordéis
Nuvens palpitam formatos
Aves aninham cabeças
Ventos conspiram folhagens
Passeios desejam chãos
Calçadas sufocam terras
Árvores equilibram ruas
Distancias trepidam trens
Redes apoiam paredes
Varanda abraça saudade
Flores erguem jardins
Céu eleva pensamentos

domingo, 10 de agosto de 2014

Não preciso fechar os olhos
Pra ver uma trilha no meio do mato
Onde agora é uma avenida

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Queria te levar na brisa com cheiro de flor
Pra dar um passeio por aí e ver o teu sorriso
Teu sorriso ilumina essa grande cidade cinza
No meu sonho você foi minha companheira
A era glamourosa do Art Déco se foi
Para dar espaço ao estilo moderno
Dos suntuosos edifícios espetaculares
O charme e a opulência deram lugar
Ao espaço-tempo curvo e não-rectilínio

Tudo tem seu nome
Cada peça
Cada ornamento
Cada curva
Cada ponto
Cada nuvem
Cada onda
Cada raio de sol

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Que mistério tem
Nas janelas desses prédios
Por trás das vidraças
Como serão os seus cômodos
Por detrás dessas cortinas
De que cor são as paredes
Quantos móveis
E a tua decoração
Quem serão seus moradores
Ou será um solitário
A pessoa residente
Velha ou nova
Talvez seja uma sala comercial
E ali o banheiro
Ou ainda um quarto-sala
Bem como uma quitinete
Que mistério resguardam
Que famílias protegem
Que negócios praticam
Por trás das muitas janelas
De todos esses prédios

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

domingo, 3 de agosto de 2014

Nossa senhora da boa viagem
Do antigo arraial do curral del rey



Liberta
Liberdade de quê
E de porquê
Se te quer libertar
Se está preso na impossibilidade
De se te libertar
Liberdade tardia
Liberdade almejada
Livre
Pra fazer o que eu quiser
No que me é sem mais nada possível
Dentro de meus olhos admiro
A pureza e inocência da flor
Que não sabe ser bela
A perspicácia e astúcia do peixe
Que emerge do fundo do lago
Vênus ali parada no coreto
Em seus leves braços gestos de dança

Quando se acha
Poder mudar o rumo do mundo
Engana-se
Porque o que ao outro pertence
O desejo
Não pode ser cobiçado

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ah belo horizonte que me espera
Nos passos que te adentro descobrirei
Serão paisagens, serão miragens
Nesses montes que te cercam
Cachoeiras e cavernas
Minas de ouro
Haverá derribado
O homem que se aventura
Nos braços da morte
Por uma formosura
Há de haver se for de sorte
Ou de privilégio
Mas que até o dia esperado
Permaneça o mistério preservado

Eu não quero ser
Eu não quero ser humano
Eu não quero ser nada
Eu não quero ser grande
Ao ínfimo pertenço
Eu não quero ser grande
Não tenho intenção de ser grande
Não quero participar de eventos grandiosos
Quero passar nulo
Se me movo é por que sou empurrado
De vida nada me falta
Dos eventos que me são reservados
Conheço todos
Dos poucos destinos que me restam
Quando a onda bate
Sou arremesso
Em nada quero afixar-me
Nada que me asfixie
De momentos que me tombam aos olhos
Quero livrar-me
Não há aflição
Não há desejo
Não quero sentir
Quero ser avesso
Eu não quero ser
Eu não quero nada
Menos que um vento
Uma brisa um sopro
Nem pedra nem topo
Não há nada que me tenha em destino
Passa a um trisco e não colide

terça-feira, 22 de julho de 2014

Uma vespa pousou no meu cabelo
Fazia sol
Na manhã fria
Na véspera
A noite longa
Lá fora
Os sons amedrontam
Dentro do quarto
Cabisbaixo

A menina entrou para brincar
Na velha fábrica de sonhos
Abandonada
Ela queria se esconder da luz

sábado, 19 de julho de 2014

Desse vazio
Dentro de mim
Mina água
Por vezes turva
Por vezes cristalina
Frenética
Mente
Vazio profano
Por vezes terreno
Por vezes celeste
Pra ver no que dá

Quando ela encosta
As pontinhas dos dedos
Umas nas outras rapidamente
Dá pra perceber bem reluzente
Nos seus olhos um intenso brilho
Assim temos condição de julgar
Perante um carrasco absolvição
Diante o mendigo
A morte
Por roubar para o pão
Limite da compaixão
Soltem Barrabás

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Perdi o poema
Mas não tem problema
Escolho outro tema
Sempre soube que não éramos felizes
Mais do que tudo nunca seremos
Sem acreditar que é sempre sério

Ao menos podia me abrir o mundo
Sem para que com isso possa fazer-me
Um estranho no seu cômodo amante

Mais que isso quem não quer não pode
Quem não pode não faz e assim seja
Ofereci o que não prometi nem soube

Esperei o que fácil me surpreenderia
Viverei bem melhor estando solitário
Me encanta por completo o inesperado
Tenho olhos para ver
Encaro olhos no fundo
Não tenho medo de ver
Aquilo que se mostra
Aprecio o que vejo
Meus olhos são meus
Olho o que eu quero
Vejo o que eu posso
Te diz afrodisíaca
O que é assim bonito
É para ser sim visto
Tu te deve acostumar
Meus olhos asquerosos
Te provocam incômodo
Não posso te controlar
Meus olhos criminosos
Ainda não conseguem
Me proibir ou bloquear
Porque tenho audácia
Só não devo te tocar
Ninguém pode me dar
O direito que é meu
De olhar o que se vê
E tu deseja mostrar
Há dentro de ti
Poder de criar
O vasto mundo
Desconhecido




Te amo chuva
Mas você não presta
Abre do céu
Tu é boa no campo
Necessária pras plantações
Mas na cidade lavrada
Tu não é bem-vinda
A cidade não é teu lugar
A cidade não foi feita pra você
Não escoe pelos morros
Não transborde pelos rios
Meus boeiros são entupidos
Eu preciso respirar
Não me afogue
Não me inunde
Minhas ruas são feitas
Para não escorrer sua água
Me esqueci de você
Antes de tudo
Íria
Um homem tem que subir na vida
Um homem precisa também de uma mulher

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Há honra na calada da noite
No beco ardiloso
Em que o frio persegue?

Há lealdade à criança faminta
Na entrada do teu prédio
Quando a porta se fecha?

Há glória no interior do teu carro
Quando sobe a janela
Pro vendedor desprezado?

Há nobreza onde lixo
Amontoa quilates
De frente pro mar?

Não há riquezas
Nem tesouros
Que comprem amor

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Eu sou amaldiçoado
Nas minhas entranhas
Correm chorume
Nasci execrado
Como nem a pobre ameba
Que nos pariu no tempo
Já havia sido
Sinto nos olhares cautelosos
Nos trejeitos debochados
Nas passadas se afastando
O repúdio que me aflige
Mais próximo da face
Um pobre menino
Sempre vacilante
Chamado mendigo
Ela disse que não é feliz
Pouca coisa a faz sorrir
Dentro dos olhos
Um abismo
Reside no peito
Um fogo
Alegria cativa
Fazendo morada
Dentro da ostra
Há uma pérola
Ela esconde
Num simples toque
Se fecha
Se afinca
Se firma
Pura inocência reprimida
A quem precisa ser forte

terça-feira, 15 de julho de 2014

domingo, 13 de julho de 2014

Amor antigo
Amor jurado
Olhos nos olhos
Mãos em mãos
Boca na boca
Coração na mão
Peito aberto
Coração na boca
Peito arfante
Vai saber qual
Instante preciso
Precioso amor
Amor antigo

sábado, 12 de julho de 2014

Eu te curto
Curto mesmo
Curto de verdade
Curto porque curto
Curto pra te agradar
Curto pra retribuir
Curto porque aprecio
Curto pra dizer que gostei do que vi
Curto pra demonstrar meu interesse
Curto pra dizer que gosto de ti
Curto pra dizer que estou perto
Curto pra te mostrar atenção
Curto pra me aproximar
Curto porque curto
Curto mesmo
Pra você me ver


terça-feira, 8 de julho de 2014

Prazer em ver as vísceras expostas
Em ver a gente morta escancarada
Em ver o corpo morto escarnecido
Quando nos arrancam pela barriga
Os vermes pútridos que nos habitam
E os órgãos vão saltando pra fora
Do peito aberto e esquartejado

Quanto ardor e súplica este coração
Que já não bate mais se deparou
Dos pulmões que já não mais respiram
Quão arfante lhes foram arrancados
Os suspiros de uma pobre vida
Que só a morte lhe trouxe

O que esse fígado já tomou embriagado
E os rins os quais filtraram tanta bebida
Se entupiram as veias fez bom trato
Aproveitou o lhe fora oferecido
Ao intestino e ao aparelho digestivo

Foi-se o momento crucial da partida
É chegada a terra prometida
E a nós restou a carne podre

domingo, 6 de julho de 2014

Eu estou aqui
Para exaltar
Teu nome

Encontro-te
Meu sonho
Saudades

Puro encanto
Desejo-te
Tatianna

sábado, 5 de julho de 2014

Tentei dizer o quanto foi bom
Aquele encanto de ser desejado
Que pude sentir em meu corpo
Teria eu apenas te sonhado

Fui atrás de ti muitas vezes
Quando não me amava
Sofri por sentir que...

Saber sobre muitas coisas
Não me diz saber de tudo
Não saber me descobre
Tudo sobre o que não sei

Mas pra quê saber afinal

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ela com o pífano 
Apareceu de repente o sorriso 
No brilho dos olhos de Sara 
Corremos nus 
Deixamos nosso desejo 
Nos guiar deitados na grama 
Sob a lua e as estrelas 
Rimos confiantes 
De que não existia amanhã
Como eu cheguei até aqui
Por quais ruínas eu procuro
No mais estreito e obscuro
Beco em que me encontro



terça-feira, 1 de julho de 2014

Posso parecer muito menor daí,
De onde me viste, bem do alto.
No momento exato em que caí
Tragado por meu bruto incauto.

Razoavelmente me doeu no ego
Caído num infausto desconsolo.
Insano levantei dormente e tolo
Caminhei uns bons passos cego.

Procurei a frente por um apoio
No meio da rua cheia de gente
E o que encontrei foi desapoio.

Cansado e perplexo me detive
No instante que estava demente
E encarei o desatino que eu tive.



segunda-feira, 30 de junho de 2014

Somos filhos do lixo
Esses filhos da puta do século 19
Inventaram tudo
Que seriamos
À favor
Ou contra.
A alfazema que plantei morreu
Ficou o perfume
Os galhos secos

De que adianta
Todas as flores
A alfazema que eu plantei morreu

O mundo
Não é da minha alçada
No máximo
Minha calçada
O mundo não me pertence
Ainda
No meu quintal
Colho frutos
Como ervas
Cheiro rosas

Apenas
Fiz do local
Meu canto
O mundo que posso
Tocar
O alcance global
Ocular
Não tenho mais do que todo mundo
Melhor eu faço
Do meu lugar
Onde estiver
Vênus
Faça-me o favor
Sai de peixes
Não aguento mais tamanha dor

Eu sei que me persegue
O teu encanto atordoante
Eu fingo que não noto
O golpe doloroso

Meu pedido de afastar-te
Não aguento mais tantas confusões
Tantas noites de choro
Sem nenhuma resposta
Tanto canto e tanta lira

Vênus
Em peixes
Não me deixa em paz
Ardiloso teu enlace
Alrisha
No quadrante tão escasso
Algo surge como solução
A este imundo solidário.
Há mais douda perdição
Do que ser tão solitário?

Quando ando desiludido
Precisando de estímulo.
Confuso deparo decidido
De pé: encaro meu túmulo!
 
A morte leve, me chamando.
Dá-se um breve colóquio
Sobre esta minha condição.

Poesia me clama chorando:
— Confessa neste solilóquio
Teu desejo de ser redimido.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Não to procurando ninguém
Mas trato bem quem desejo com interesse
Quero ser de todos que me amam
Vejo todo dia um encanto
Há no meu caminho dia-a-dia
Um roseiral que detém meus olhos

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Só é possível ser feliz encontrando
No nosso cinismo e ceticismo
O equilíbrio entre ironia e hipocrisia
Ninguém quer um maldito mendigo fedorento por perto
Puta que pariu
Me dá pena
Mas nem olho pra ele
Prefiro não olhar
E fingir que ele não está ali
Mas na verdade sei que ele tá ali
É que faz parte dele estar ali
Ele podia não estar
Em nenhum outro lugar senão ali
Por ser humano
O que ele tem dentro dos olhos
Que me toca dentro do peito

As calçadas são lixeiras
Os boeiros entopem
As latrinas transbordam

Quando dou meus passos
Escolho onde eu piso
Olhando para o chão

A vida se esvai meu vômito
Assim me vejo por dentro
O que me botei pra fora

Naquele leito vazio
Corre o esgoto pra vala
Mostrando meu caminho

domingo, 1 de junho de 2014

Eu sempre pego 397 pela madrugada
Entre duas e quatro da manhã
Próximo ao Largo da Carioca
Aguardo falido na Avenida Chile
Como muitas outras pessoas
Que dependem do transporte público
Para transitar pela cidade
Na madrugada a espera pode durar
Sou mesmo um vagabundo madrugador
Muitas pessoas saem do trabalho
Enquanto eu volto da Lapa
Vejo as gentes desesperadas
Nos pontos da Central
Doidas para retornar a suas belas casas
Óbvio que a maioria não são de longe belas
E com elas bem feitas as sonhariam assim
E assim então o repouso é reconfortante
Do trajeto que se faz pela Avenida Brasil
Na velocidade constante dos pontos vazios
As pistas livres proporcionam ótima locomoção
A hora se passa veloz nas luzes da cidade
Da Maré até Bangu demora cerca de uma hora
E o ônibus permanece sempre cheio do cansaço
Durante o dia chega três horas pela pista lateral
Uma viagem de Campo Grande até o Centro no ônibus parador
Nume

A poesia veio fazer uma visita
Ninfas, sereias, nereidas e melíades
Plêiades, náiades, corícias e hespérides
Padma era a mais bela ninfa

Mais vale a poesia de um louco
Que as palavras de um rei
Mais vale a poesia de um louco
Que as palavras de um juiz

A poesia veio para dizer
Que ela está em tudo
Antes de tudo
Poesia



Venho nessa margem
Pedir para a cidade um canto
Entre-limite
Centro-oeste
Meio-do-nada
Na-da
Entre-ponto
Canto cidade
Um canto

O que quero de ti
Cantarei
Cantarei
Para ti
Oh cidade
Minha doce

Venho marginal
Venho cansado
Venho sozinho
Sonhos milhões

Abraço a cidade
A cidade é tudo
Eu sou pequenino
Quero a cidade

Canto a cidade
Vai cidade
Te pertenço
Não me deixe
Arrabaldes
Sertão carioca
Aqui começou um roçado
O que sobrou dele

Pra lá de cá
Ancestral lembrança
Se perdeu nos avanços

Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande

Depois do antes
Havia uma igreja
E também um engenho
E também um rio
A estrada veio para trazer à Santa Cruz

Mas o que trouxe
Morte

Cidade nossa
Subúrbio
Longe de alcance

Antes habitava por essas bandas
Poesia
Pura poesia condensada
Tocada para ser esperança depois

Antes do antes
Não me lembra
Ainda precisa ser inventado

Ainda vejo cavalos e carroças que passam por aqui
Ligações seculares
Cada vez mais distantes da côrte
Mas ainda vejo o chicote batendo

Me afastando cada vez mais para longe
No tempo
Sobre os trilhos

Nos arreios
Vou eu

sábado, 17 de maio de 2014

Ontem eu encontro uma mulher
Noite de uma desconhecida que me encontra
Em sua graça dançava desinibida
Com vestido branco e um olhar profundo
Cabelos sacudindo presos num rabo-de-cavalo...
Maravilhosamente doida em seu normal
Me fez delirar nos seus sorrisos
E no seu jeito de enxergar a noite
Ontem a vida fez-se encantadora
Naquela dança que ela fazia na dela


Ana Luisa, adoro conhecer pessoas como você
Pessoas que por acaso posso nunca mais reencontrar
Pois sequer trocamos número de telefone
Conheço teu nome e só
O brilho dos teus olhos
Algumas tatuagens de flores
Uma ampulheta ainda cheia
E o interesse pela loucura
Violência e perversidade

Naquele todo de repente
Atrair seus belos sorrisos
No interesse de uma conversa
Sem a pretensão de ser amigos
Numa agradável interação cósmica
Conversou o prazer dos meus sorrisos

Naquela noite as pessoas vibrando
Tudo perfeito ao redor nas sombras
Sorrisos agradáveis sem compromisso
O grave sonoro acolhedor das batidas
Que as incidentes lembranças expande
Entre as árvores no profundo das cores

Essa moradora da Glória
Nunca conhecerá meu bairro
Nunca sequer terá o meu beijo
Mas entre tanto em minha memória
Toda afinidade daquela interação
Ainda que sob as luzes brancas
Dança eternamente o teu corpo esguio
O teu rosto sorridente e teu olhar alucinado
Que fez o colorido entre as claridades ofuscantes

quarta-feira, 14 de maio de 2014

terça-feira, 6 de maio de 2014