quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ah belo horizonte que me espera
Nos passos que te adentro descobrirei
Serão paisagens, serão miragens
Nesses montes que te cercam
Cachoeiras e cavernas
Minas de ouro
Haverá derribado
O homem que se aventura
Nos braços da morte
Por uma formosura
Há de haver se for de sorte
Ou de privilégio
Mas que até o dia esperado
Permaneça o mistério preservado

Eu não quero ser
Eu não quero ser humano
Eu não quero ser nada
Eu não quero ser grande
Ao ínfimo pertenço
Eu não quero ser grande
Não tenho intenção de ser grande
Não quero participar de eventos grandiosos
Quero passar nulo
Se me movo é por que sou empurrado
De vida nada me falta
Dos eventos que me são reservados
Conheço todos
Dos poucos destinos que me restam
Quando a onda bate
Sou arremesso
Em nada quero afixar-me
Nada que me asfixie
De momentos que me tombam aos olhos
Quero livrar-me
Não há aflição
Não há desejo
Não quero sentir
Quero ser avesso
Eu não quero ser
Eu não quero nada
Menos que um vento
Uma brisa um sopro
Nem pedra nem topo
Não há nada que me tenha em destino
Passa a um trisco e não colide

terça-feira, 22 de julho de 2014

Uma vespa pousou no meu cabelo
Fazia sol
Na manhã fria
Na véspera
A noite longa
Lá fora
Os sons amedrontam
Dentro do quarto
Cabisbaixo

A menina entrou para brincar
Na velha fábrica de sonhos
Abandonada
Ela queria se esconder da luz

sábado, 19 de julho de 2014

Desse vazio
Dentro de mim
Mina água
Por vezes turva
Por vezes cristalina
Frenética
Mente
Vazio profano
Por vezes terreno
Por vezes celeste
Pra ver no que dá

Quando ela encosta
As pontinhas dos dedos
Umas nas outras rapidamente
Dá pra perceber bem reluzente
Nos seus olhos um intenso brilho
Assim temos condição de julgar
Perante um carrasco absolvição
Diante o mendigo
A morte
Por roubar para o pão
Limite da compaixão
Soltem Barrabás

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Perdi o poema
Mas não tem problema
Escolho outro tema
Sempre soube que não éramos felizes
Mais do que tudo nunca seremos
Sem acreditar que é sempre sério

Ao menos podia me abrir o mundo
Sem para que com isso possa fazer-me
Um estranho no seu cômodo amante

Mais que isso quem não quer não pode
Quem não pode não faz e assim seja
Ofereci o que não prometi nem soube

Esperei o que fácil me surpreenderia
Viverei bem melhor estando solitário
Me encanta por completo o inesperado
Tenho olhos para ver
Encaro olhos no fundo
Não tenho medo de ver
Aquilo que se mostra
Aprecio o que vejo
Meus olhos são meus
Olho o que eu quero
Vejo o que eu posso
Te diz afrodisíaca
O que é assim bonito
É para ser sim visto
Tu te deve acostumar
Meus olhos asquerosos
Te provocam incômodo
Não posso te controlar
Meus olhos criminosos
Ainda não conseguem
Me proibir ou bloquear
Porque tenho audácia
Só não devo te tocar
Ninguém pode me dar
O direito que é meu
De olhar o que se vê
E tu deseja mostrar
Há dentro de ti
Poder de criar
O vasto mundo
Desconhecido




Te amo chuva
Mas você não presta
Abre do céu
Tu é boa no campo
Necessária pras plantações
Mas na cidade lavrada
Tu não é bem-vinda
A cidade não é teu lugar
A cidade não foi feita pra você
Não escoe pelos morros
Não transborde pelos rios
Meus boeiros são entupidos
Eu preciso respirar
Não me afogue
Não me inunde
Minhas ruas são feitas
Para não escorrer sua água
Me esqueci de você
Antes de tudo
Íria
Um homem tem que subir na vida
Um homem precisa também de uma mulher

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Há honra na calada da noite
No beco ardiloso
Em que o frio persegue?

Há lealdade à criança faminta
Na entrada do teu prédio
Quando a porta se fecha?

Há glória no interior do teu carro
Quando sobe a janela
Pro vendedor desprezado?

Há nobreza onde lixo
Amontoa quilates
De frente pro mar?

Não há riquezas
Nem tesouros
Que comprem amor

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Eu sou amaldiçoado
Nas minhas entranhas
Correm chorume
Nasci execrado
Como nem a pobre ameba
Que nos pariu no tempo
Já havia sido
Sinto nos olhares cautelosos
Nos trejeitos debochados
Nas passadas se afastando
O repúdio que me aflige
Mais próximo da face
Um pobre menino
Sempre vacilante
Chamado mendigo
Ela disse que não é feliz
Pouca coisa a faz sorrir
Dentro dos olhos
Um abismo
Reside no peito
Um fogo
Alegria cativa
Fazendo morada
Dentro da ostra
Há uma pérola
Ela esconde
Num simples toque
Se fecha
Se afinca
Se firma
Pura inocência reprimida
A quem precisa ser forte

terça-feira, 15 de julho de 2014

domingo, 13 de julho de 2014

Amor antigo
Amor jurado
Olhos nos olhos
Mãos em mãos
Boca na boca
Coração na mão
Peito aberto
Coração na boca
Peito arfante
Vai saber qual
Instante preciso
Precioso amor
Amor antigo

sábado, 12 de julho de 2014

Eu te curto
Curto mesmo
Curto de verdade
Curto porque curto
Curto pra te agradar
Curto pra retribuir
Curto porque aprecio
Curto pra dizer que gostei do que vi
Curto pra demonstrar meu interesse
Curto pra dizer que gosto de ti
Curto pra dizer que estou perto
Curto pra te mostrar atenção
Curto pra me aproximar
Curto porque curto
Curto mesmo
Pra você me ver


terça-feira, 8 de julho de 2014

Prazer em ver as vísceras expostas
Em ver a gente morta escancarada
Em ver o corpo morto escarnecido
Quando nos arrancam pela barriga
Os vermes pútridos que nos habitam
E os órgãos vão saltando pra fora
Do peito aberto e esquartejado

Quanto ardor e súplica este coração
Que já não bate mais se deparou
Dos pulmões que já não mais respiram
Quão arfante lhes foram arrancados
Os suspiros de uma pobre vida
Que só a morte lhe trouxe

O que esse fígado já tomou embriagado
E os rins os quais filtraram tanta bebida
Se entupiram as veias fez bom trato
Aproveitou o lhe fora oferecido
Ao intestino e ao aparelho digestivo

Foi-se o momento crucial da partida
É chegada a terra prometida
E a nós restou a carne podre

domingo, 6 de julho de 2014

Eu estou aqui
Para exaltar
Teu nome

Encontro-te
Meu sonho
Saudades

Puro encanto
Desejo-te
Tatianna

sábado, 5 de julho de 2014

Tentei dizer o quanto foi bom
Aquele encanto de ser desejado
Que pude sentir em meu corpo
Teria eu apenas te sonhado

Fui atrás de ti muitas vezes
Quando não me amava
Sofri por sentir que...

Saber sobre muitas coisas
Não me diz saber de tudo
Não saber me descobre
Tudo sobre o que não sei

Mas pra quê saber afinal

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ela com o pífano 
Apareceu de repente o sorriso 
No brilho dos olhos de Sara 
Corremos nus 
Deixamos nosso desejo 
Nos guiar deitados na grama 
Sob a lua e as estrelas 
Rimos confiantes 
De que não existia amanhã
Como eu cheguei até aqui
Por quais ruínas eu procuro
No mais estreito e obscuro
Beco em que me encontro



terça-feira, 1 de julho de 2014

Posso parecer muito menor daí,
De onde me viste, bem do alto.
No momento exato em que caí
Tragado por meu bruto incauto.

Razoavelmente me doeu no ego
Caído num infausto desconsolo.
Insano levantei dormente e tolo
Caminhei uns bons passos cego.

Procurei a frente por um apoio
No meio da rua cheia de gente
E o que encontrei foi desapoio.

Cansado e perplexo me detive
No instante que estava demente
E encarei o desatino que eu tive.