ESTE MEU AMIGO PROFESSOR
Ele sempre me diz que não pode parar
Que está sempre saindo e que vai trabalhar
O que será que ele faz pelas ruas da Lapa
Ele me disse também que dá aulas no Humaitá
O que faz pelos becos este professor taciturno
Quando sai pra trabalhar
Vestido como operário
Qual será seu itinerário
Quando vai da Lapa ao Humaitá
Das ruas chiques aos bares absconsos ele transita
Sem perder seu chapéu
Encosta nas praças
Esbarra e topa às esquinas
Com sua Gramática embaixo do braço
Um ás na manga
E o dominó no bolso
Entra no ônibus sonhando com os antigos bondes
Quando chega a sua casa
Em seu reduto na Zona Norte
No bairro tradicional e nobre
Do Eng. da Rainha
Onde os bambas se reúnem
Nessa hora de recreação
Ele reflete sobre sua labuta
A aplicação dos generosos alunos
E a dedicação estatutária de professor
A doação de ser educador
A alegria, a glória e o dom de ensinar
E de aprender na rua o que ela pode ofertar
Em sua sala de aula na Lapa
Ele se apega a "gramática para o bem-falar"
Quando sai do trabalho
Ele se apoia ao balcão daquele bar
Depois que sai daquela escola no Humaitá
Ele senta junto àquela mesa
Ao som do samba deixa de ser servidor
Passa a menestrel, larga a gramática, tira o chapéu, e,
se sentindo Dioniso, canta sem amargura ou pudor
Feliz com seu copo de cerveja e os seus queridos
Este meu amigo professor
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