segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Jabutis
Respeito sua existência
Gosto de jabutis
Antes viviam livres
Para quem convive com eles
Penso como era por aqui
Dentro da mata atlântica
Soltas buscando suas vidas

Me identifico

Não sei
Quando as percebo
Aprendo muito com elas
Sentado fico olhando
As observando por anos
Admiro como elas vivem
Estão na velocidade certa

Mesmo no seu casco rude
Há uma doce suavidade
Nos nódulos calcários
Da sua maturidade
Alinhamento simétrico
Penso se pensam
Se conhecem o limite que as cercam

O que querem
Dou um carinho
Gosto desses répteis
Penso nos dinossauros
Dou comida
O que sentem

Parecem não entender minhas carícias
Andam lentamente fortes
Poderiam percorrer longas distâncias
Tomar grandes territórios em poucas horas
Parecem curiosas
Ganham caminho
Vasculham os cantos

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Nunca mais será igual
Ter você comigo
Deu vontade de chorar
Ver seu sorriso
Olhar nos olhos
Abraçar com jeitinho
Sentir felicidade
Teve um tempo que eu não podia cruzar a ponte
O que encontraria do lado de lá
Um acontecimento que não se previa
Não assentava o prumo
Apareceu de repente
Mantive o rumo
Cosmicamente consciente
Realizando o passo-a-passo
Despenquei pra aquele aglomerado
Do outro lado da ponte
Sumi no meio do mundo

Sentei a sombra de uma figueira velha
Onde muitos de mim já se sentaram

Eu não vi o desejo na gota de orvalho
Carrapicho na paixão
Cresceu mato na casa
Rodeou o amor
Cobriu as janelas
Caiu chuva na varanda
Cresceu erva daninha
Nos fundos do quintal
O esforço que exitou
A prova que a obra
Executava o trabalho





A cabeça é uma coisa doida
Demora entrar no eixo
Precisa de choques e traumas
Pra constituir efeito

Bonsucesso em 1 minuto
Existe no limite entre Ramos
E Manguinhos
Cruza a seu centro nervoso
Minha doce amada
Av. Brasil
Cerca de 4km
De traçado
Da 11 a 7
Na seletiva
Nenhum obstáculo a frente

Caríssima Av. Brasil,

Não engarrafe
Não se afunile
Não imprense
Os belos carros
Minha pedra filosofal
Ave avenida
Habemus Avenida Brasil
Oh queridíssima Av. Brasil
Do tanto que te conheço
Do tempo que passo em ti
Tenho a intimidade de falar
MANIFESTO ANTI-COMUNISTA

Somos miseráveis catando migalhas no chão!
Guardem seus sorrisos para os seus, falsos!
Qual o prazer do sujeito em comprar seu próprio maço de cigarros?
E o prazer que o sujeito indivíduo tem em fumar o seu cigarro até o fim.

Na divisão do trabalho
Na produção
No consumo

Lembrando do nosso primeiro beijo
Meu peito se abre
Sinto o ar quente penetrar
Meu corpo inflar meus pulmões
Penso meus lábios
Tocando com os seus
Suaves lentamente
Encontro meu rosto ao seu narizinho
Levemente
Alongo os olhos pra ver os seus
Vejo sua boca
Seus lábios são a praia que eu quero namorar
Tua língua que eu quero aprender a falar
Tua saliva pra me afogar
Neste sonho adormeço
E na paz me refaço
Evocando este momento
No tempo-espaço
Distante do agora
Retorno ao começo
Lembrando do nosso primeiro beijo
Me sinto um verme
Deito pra dormir
Ideia não é muro
Não me fecha
Nem bloqueia
Ideia me cansa
Não sai do papel

terça-feira, 19 de agosto de 2014

ESTE MEU AMIGO PROFESSOR

Ele sempre me diz que não pode parar
Que está sempre saindo e que vai trabalhar
O que será que ele faz pelas ruas da Lapa
Ele me disse também que dá aulas no Humaitá
O que faz pelos becos este professor taciturno
Quando sai pra trabalhar
Vestido como operário
Qual será seu itinerário
Quando vai da Lapa ao Humaitá
Das ruas chiques aos bares absconsos ele transita
Sem perder seu chapéu
Encosta nas praças
Esbarra e topa às esquinas
Com sua Gramática embaixo do braço
Um ás na manga
E o dominó no bolso
Entra no ônibus sonhando com os antigos bondes
Quando chega a sua casa
Em seu reduto na Zona Norte
No bairro tradicional e nobre
Do Eng. da Rainha
Onde os bambas se reúnem
Nessa hora de recreação
Ele reflete sobre sua labuta
A aplicação dos generosos alunos
E a dedicação estatutária de professor
A doação de ser educador
A alegria, a glória e o dom de ensinar
E de aprender na rua o que ela pode ofertar
Em sua sala de aula na Lapa
Ele se apega a "gramática para o bem-falar"
Quando sai do trabalho
Ele se apoia ao balcão daquele bar
Depois que sai daquela escola no Humaitá
Ele senta junto àquela mesa
Ao som do samba deixa de ser servidor
Passa a menestrel, larga a gramática, tira o chapéu, e,
se sentindo Dioniso, canta sem amargura ou pudor
Feliz com seu copo de cerveja e os seus queridos
Este meu amigo professor

sábado, 16 de agosto de 2014

Mais próximo do passado
No antes que se conhece
Houve um momento
Que vi nos olhos cintilantes
O incrível deslumbre
Que me encantou
Desse passado distante
Adentrou pelo futuro
E pousou no presente
Um encanto maior
Do antes ao agora
Ficou intensa lembrança
Que não se desfaz
É um laço passado
E repassado no finco
Da linha do tempo
Eventos na memória
Não esquecidos jamais
Fizeram chegar até aqui
Esses sentimentos
Que preservam em mim
Um amor imenso
Não sei o que é
Talvez não exista
Mas todos procuram
Todos querem encontrar

Já senti por perto
Ousei tocar
Névoa lilás
Se desfez no ar


As palavras não dizem nada por mim
Que de palavras diz não me ter
Tem o que eu sinto e palavras

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Silêncio amanhece ruídos
Luz acorda colorações
Cores avivam olhos
Calor celebra ações
Janela abençoa frestas
Raios tilintam devaneios
Vozes abonam arpejos
Dia apaga penumbras
Coloridos abrem coração
Melodias acolhem ouvidos
Cometas dançam melindres
Estrelas cantam maviosas
Cavalos flutuam cordéis
Nuvens palpitam formatos
Aves aninham cabeças
Ventos conspiram folhagens
Passeios desejam chãos
Calçadas sufocam terras
Árvores equilibram ruas
Distancias trepidam trens
Redes apoiam paredes
Varanda abraça saudade
Flores erguem jardins
Céu eleva pensamentos

domingo, 10 de agosto de 2014

Não preciso fechar os olhos
Pra ver uma trilha no meio do mato
Onde agora é uma avenida

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Queria te levar na brisa com cheiro de flor
Pra dar um passeio por aí e ver o teu sorriso
Teu sorriso ilumina essa grande cidade cinza
No meu sonho você foi minha companheira
A era glamourosa do Art Déco se foi
Para dar espaço ao estilo moderno
Dos suntuosos edifícios espetaculares
O charme e a opulência deram lugar
Ao espaço-tempo curvo e não-rectilínio

Tudo tem seu nome
Cada peça
Cada ornamento
Cada curva
Cada ponto
Cada nuvem
Cada onda
Cada raio de sol

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Que mistério tem
Nas janelas desses prédios
Por trás das vidraças
Como serão os seus cômodos
Por detrás dessas cortinas
De que cor são as paredes
Quantos móveis
E a tua decoração
Quem serão seus moradores
Ou será um solitário
A pessoa residente
Velha ou nova
Talvez seja uma sala comercial
E ali o banheiro
Ou ainda um quarto-sala
Bem como uma quitinete
Que mistério resguardam
Que famílias protegem
Que negócios praticam
Por trás das muitas janelas
De todos esses prédios

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

domingo, 3 de agosto de 2014

Nossa senhora da boa viagem
Do antigo arraial do curral del rey



Liberta
Liberdade de quê
E de porquê
Se te quer libertar
Se está preso na impossibilidade
De se te libertar
Liberdade tardia
Liberdade almejada
Livre
Pra fazer o que eu quiser
No que me é sem mais nada possível
Dentro de meus olhos admiro
A pureza e inocência da flor
Que não sabe ser bela
A perspicácia e astúcia do peixe
Que emerge do fundo do lago
Vênus ali parada no coreto
Em seus leves braços gestos de dança

Quando se acha
Poder mudar o rumo do mundo
Engana-se
Porque o que ao outro pertence
O desejo
Não pode ser cobiçado