Tinha uma sabiá morta que se via pela minha janela
Nos olhos daquele bicho tinha uma doçura inalcançável
A vida que não havia ali estava tomada de formigas
Elas são sempre as primeiras a chegar à cena de um crime
Tinha uma abelha morta na sacada dessa janela
Dava para ver a morte nas asas dela
Tinha um ar que não batia vento aquela manhã
Já sabia que era um mal presságio pra não sair naquele dia
Quando eu era criança tinha medo do amolador de facas
No silêncio da rua soava maldito zumbido sombrio de faca amolando
Parava a bicicleta e o chamado no girar da roda pairava sonoro
Ela tem muito da vida amolar facas
A roda gira o mundo afora sai faíscas
Diziam que quando ele passava
Alguém estava para morrer
Faca amolada dá perigo nas pessoas
domingo, 27 de novembro de 2016
domingo, 20 de novembro de 2016
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Cercam Tiradentes
A Justiça
A Liberdade
A Fidelidade
A União
Homem louco por morrer
Quis o que quis e foi lá buscar
Teve paz para alcançar
Quando só Sade sabia o que era prazer
Chamou luz e trovão
Fez garrote e boticão
Pra amarrar boi com sua corda no pescoço
A Santa Lampedusa viu
Indo pela avenida
Passos lentos e sagrados
No Amazonas, no São Francisco
No Madeira e no Paraná
Se ouviu o grito
E toda a água ainda não lavou
O seu sangue
Nobre desejo de liberdade
Glorioso destino na forca
Sal grosso e vísceras expostas
A Justiça
A Liberdade
A Fidelidade
A União
Homem louco por morrer
Quis o que quis e foi lá buscar
Teve paz para alcançar
Quando só Sade sabia o que era prazer
Chamou luz e trovão
Fez garrote e boticão
Pra amarrar boi com sua corda no pescoço
A Santa Lampedusa viu
Indo pela avenida
Passos lentos e sagrados
No Amazonas, no São Francisco
No Madeira e no Paraná
Se ouviu o grito
E toda a água ainda não lavou
O seu sangue
Nobre desejo de liberdade
Glorioso destino na forca
Sal grosso e vísceras expostas
Urbe é aglomeração
Não há liberdade sem coração
Calafrio de possibilidade
Delimitando o espaço linear selvagem sem idade
Esquadrinhando uma formatação
Onde antes havia verdadeira diversidade
Há largos, praças, ruas e avenidas
Essa constituição social
Enquadrada em linhas abissais
Ferindo a selvageria humana
Nessa civilização excludente
Não há liberdade sem coração
Calafrio de possibilidade
Delimitando o espaço linear selvagem sem idade
Esquadrinhando uma formatação
Onde antes havia verdadeira diversidade
Há largos, praças, ruas e avenidas
Essa constituição social
Enquadrada em linhas abissais
Ferindo a selvageria humana
Nessa civilização excludente
terça-feira, 15 de novembro de 2016
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Tenho olho para esquinas
Desabrocho azulejos
Compensado de balcões de salgados
Quem dava saber conchas encimadas nos sobrados
Ladrilho escamas em padrões madre-pérola
Mendigo que almeja arte
Feito árvore que deseja pássaro
Frontão triangular e folha de acanto
Santa barroca no cimo estrelado
Doce de abóbada
Cúpula e pedestal
A moça que segura o bebê
Olha da varanda da sacada
O calçamento que faz as estradas
São três flechas cruzadas
Sobre o peito
Ladeadas por golfinhos bailarinos
Confeitos de espelhos na escada
É do largo que o canto vinha
Dos quilombos no meio da mata
Um senhora dava corda no chafariz
O relógio já marcava aquela hora
Imagem que converge olho por olho
Silêncio que emerge do calabouço
Açoitado pela agressão da violência
Onde não sobram casas para todos
Solidão é a questão que me impele
Nessa cidade cosmopolita e colonial
Desabrocho azulejos
Compensado de balcões de salgados
Quem dava saber conchas encimadas nos sobrados
Ladrilho escamas em padrões madre-pérola
Mendigo que almeja arte
Feito árvore que deseja pássaro
Frontão triangular e folha de acanto
Santa barroca no cimo estrelado
Doce de abóbada
Cúpula e pedestal
A moça que segura o bebê
Olha da varanda da sacada
O calçamento que faz as estradas
São três flechas cruzadas
Sobre o peito
Ladeadas por golfinhos bailarinos
Confeitos de espelhos na escada
É do largo que o canto vinha
Dos quilombos no meio da mata
Um senhora dava corda no chafariz
O relógio já marcava aquela hora
Imagem que converge olho por olho
Silêncio que emerge do calabouço
Açoitado pela agressão da violência
Onde não sobram casas para todos
Solidão é a questão que me impele
Nessa cidade cosmopolita e colonial
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