Eu não quero ser
Eu não quero ser humano
Eu não quero ser nada
Eu não quero ser grande
Ao ínfimo pertenço
Eu não quero ser grande
Não tenho intenção de ser grande
Não quero participar de eventos grandiosos
Quero passar nulo
Se me movo é por que sou empurrado
De vida nada me falta
Dos eventos que me são reservados
Conheço todos
Dos poucos destinos que me restam
Quando a onda bate
Sou arremesso
Em nada quero afixar-me
Nada que me asfixie
De momentos que me tombam aos olhos
Quero livrar-me
Não há aflição
Não há desejo
Não quero sentir
Quero ser avesso
Eu não quero ser
Eu não quero nada
Menos que um vento
Uma brisa um sopro
Nem pedra nem topo
Não há nada que me tenha em destino
Passa a um trisco e não colide
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