domingo, 14 de setembro de 2014

Nunca avistei prédios que fossem tulipas
Nunca manobrei carros que fossem petúnias
Sempre percorri  flamboyants que eram caminhos
Muitas vezes adentrei bouganvilles que eram moradas

Por vezes cruzei onze-horas que eram muralhas
Me abriguei em salgueiros que eram choupanas
Subi muitas montanhas que eram mangueiras
E sempre vi uma rosa como fosse relicário

Sempre tive alfazemas destilando perfumes
Canas-de-açúcar sempre me ofertaram néctar
Muitas vezes coqueiros me serviram bebida
Outras tantas bambus me proveram jangadas

Longos suspiros sempre brotam de orquídeas
Há por vezes das belezas que se prezam lírios
Magnólias que sempre amansam olhares
Calêndulas que nunca jamais decepcionam

Bananeiras sempre mostraram ter coração
Não deixo de ver avencas sendo móbiles ao vento
Marias-sem-vergonha sempre me fizeram feliz
Bocas-de-leão sempre me provocam sorrisos

Tem vezes que me sinto samambaia-chorona
Cravo-da-índia dá ao doce um amargo de sangue
Tomo banho de manjericão pra cortar mau-olhado
Ponho galho de arruda na porta pra ser cadeado

Adormeço no abrigo frondoso do ipê-amarelo
Desperto com café me deixando acordado
Azaleias fazendo brilho no canto dos olhos
E pimenta vigor do meu corpo fechado

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