sexta-feira, 29 de julho de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Creio em deus-pai-todo-poderoso
Senhor do céu e da terra
Senhor das armas e da guerra
Ele não mata, ele manda matar
Ele anda sobre as águas
Ele é a luz e a escuridão
Eu não ouvi o sino que encerra a luta
No seu reino a morte é a paz

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Me ofenda e estarás arruinado
Respeitar é se proteger
Eu sou a carne podre no dente que você não limpou
Eu sou a penúria
Do amor desprezado
Eu sou a peste e o tumor
Eu sou a ferida que não cicatriza
Eu sou o cheiro de peixe morto
Eu sou o verme na primeira garfada
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o poço sem fundo
Eu sou o cuspe no prato
A comida estragada na geladeira
Eu sou o seu desleixo e a sua falta de consideração
Eu sou a fome, eu sou o ódio
Encarnado nos seus olhos
Eu sou a fruta podre sobre a mesa
Eu sou o medo e o pavor
Escancarado nos seus nervos
Estou cercado de monstros famintos
Mas eu sei guardar segredo
No calor do momento
Me faltaram palavras
Todo mundo quer ser valorizado e encontrar o seu grande amor
Eu que nunca fui casado
Eu que nunca tive filhos
Já tive aventuras fugazes
Já tive inumeráveis deslizes
Eu durmo e acordo sorrindo
Nada pode me arrancar o sorriso do rosto
Quando você vier me matar
Eu vou ficar bem paradinho
No meu sonho eu era assassinado por você
Escolha um amigo para matar você e marque essa pessoa
Eu não vou fugir da morte
A minha hora vai chegar
Ao menos isso você não pode me negar

terça-feira, 26 de julho de 2016

Eu só penso em te encontrar
Por onde anda mulher?
Feiticeira, vem atormentar os meus desejos
Movimento é tua busca
O meu corpo te quer mais
E mais a minha mente te segue
E nesse percurso
Nunca chego a te encontrar

domingo, 17 de julho de 2016

Por onde andarão?
Oh, Musae
Distantes bem longe
Nos montes, nos vales
Nos bosques, nas fontes
Na água, na terra
No ar e no fogo
Palavas e sons
Cantando e dançando
Te amo, te amo
Por onde andarão?
Em Tebas ou Atenas
Além do Atlântico
Por trás das colinas
Cruzando os abismos
Por onde andarão?
Oh, Musae
Na beira das praias
Na margem dos rios
Na altura dos cimos
Cantai, cantai
Oh, Musae
As doces campinas
Os novos horizontes
As flores de cactus
O céu de Brasília
A pedra lançada contra minha cidade
Oh, Musae
Por onde andarão?
Estariam a minha espera?
Cantei, cantei
Ai de mim
Que sou mortal
Tenho a vida na humildade de poder cantar ao vento
Venham, Musae, cantar comigo
E eu vou dançar na chuva

Deixa eu falar coisas no teu ouvido
Pra eu ver se arrepiando
A pele do teu ombro até a nuca
Me deixa ouvir um suspiro teu
Sentir teu fôlego ofegante
Saber a força da tua boca
Deixa minhas mãos percorrerem o teu corpo
Ao prazer desses olhos famintos
Fadados ao fracasso de não te tocar
Distante do cheiro do teu cabelo
Pois é o mesmo do sonho e desejo
Que já me causa sofrimento
A agonia de não gozar suas carícias
VERDADES INCONFESSÁVEIS I

Eu sou inconsequente
Eu sou persona non grata
Eu destruí uma amizade
Traía minha namorada
Eu não sou sensível para perceber
Não sou capaz de ver
Eu pareço inteligente
Mas na verdade eu não passo de um sabidinho
Eu tenho muitas amantes
Meus amigos da juventude me detestam
Faço um pouco de tudo
Mas não sei fazer nada bem
Eu não assumo minha homossexualidade
Eu me acho foda
Mas na verdade sou um merda
Eu não fui porque eu não quis
Eu já humilhei uma empregada doméstica
Eu já cuspi no prato que comi
Eu não gosto de esforço
Eu já persegui uma mulher
Eu já bati numa namorada
Eu finjo gostar de certas pessoas que convivo
Eu detesto acordar cedo

quarta-feira, 13 de julho de 2016

De farinha e água se fez o homem
Com a mão na massa
Sova e sova

Põe mais água
Mexe e coloca mais farinha
Vai-se fazendo o homem com a mão

E sova e sova
Bate a massa e bate mais
E coloca mais farinha na mão do homem

O homem cresce
Prepara o fermento e bate
Bate mais e sova o homem para fazer a massa

A farinha na massa
Vai fazendo o homem
Com o braço forte para bater mais massa

E bota mais farinha
Na mão do homem vai o sal
A farinha e a água vão fazendo o homem

A massa cresce
Prepara o fogo no formo
Deixa descansar a massa pra ela crescer

Aguarda um pouco
Espera o forno aquecer
Coloca a massa para assar no forno

Espera o forno assar bem a massa
O homem espera ficar pronto
E come o pão

E come o pão
Que o deixa mais forte
De farinha e água se fez o homem

sábado, 9 de julho de 2016

Hora a miséria vem fazer uma visita
Hora a fartura
O que é a vida?
O que é o futuro?
O que é a morte?
Hora há fortuna
Hora há bruma
O que é preciso pra ser feliz?

segunda-feira, 4 de julho de 2016

domingo, 3 de julho de 2016

A morte veio fazer uma visita
Jacó disse: Seja bem-vinda!
E a noite foi passear com a morte
Eu bato na porta
Um passo me leva ao abismo
Desço e verifico
Profundo
A porta que se abriu ficou para trás
Desço no vento





sexta-feira, 1 de julho de 2016

De linha e agulha
No furo que passa
No nó que trança
Dá a volta e une

Traça a passagem
No fio que tece
A textura da forma
Que nasce da linha

Malha de tranças
Segue na forma
O fio que passa
Os nós tecidos

A agulha que leva
A linha que entra
Nos nós traçados
No pano de fundo

E fura e fere fundo
A agulha que traça
O tecido que passa
A malha que tece

Textura que forma
A malha de trança
De linha e de nó
No tecido formado