E todo o teu futuro se mostrasse planejado
Sabendo a hora de seu fatal alvitre
Pudera decerto calcular o improvável
É fortuna
É talento
É desfecho desgarrado
Se o que é errado certo está
É deslaço
Evidente
É desterro do passado
Fiquei de olho no esquife atrás da porta
De pé de frente pra vitrine do velório
Decorado dentro do salão da funerária
Esperando por minha lápide ser talhada
O futuro é uma bolha
Que dilata e nunca volta
E o passado é esta folha
Por onde a morte me escolta
E o que deixei pra fazer amanhã?
Ainda pensava em encontrar minha amada
Se o desejo morreu ou é repulsa
Foi maldade que me deixou esperando?
Um rosto aflito na escuridão veio me buscar
Não tenha medo e fique em silêncio
Apenas não vá se machucar
A foice está pendida e não pode mais parar
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