Tinha uma sabiá morta que se via pela minha janela
Nos olhos daquele bicho tinha uma doçura inalcançável
A vida que não havia ali estava tomada de formigas
Elas são sempre as primeiras a chegar à cena de um crime
Tinha uma abelha morta na sacada dessa janela
Dava para ver a morte nas asas dela
Tinha um ar que não batia vento aquela manhã
Já sabia que era um mal presságio pra não sair naquele dia
Quando eu era criança tinha medo do amolador de facas
No silêncio da rua soava maldito zumbido sombrio de faca amolando
Parava a bicicleta e o chamado no girar da roda pairava sonoro
Ela tem muito da vida amolar facas
A roda gira o mundo afora sai faíscas
Diziam que quando ele passava
Alguém estava para morrer
Faca amolada dá perigo nas pessoas
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