Tenho olho para esquinas
Desabrocho azulejos
Compensado de balcões de salgados
Quem dava saber conchas encimadas nos sobrados
Ladrilho escamas em padrões madre-pérola
Mendigo que almeja arte
Feito árvore que deseja pássaro
Frontão triangular e folha de acanto
Santa barroca no cimo estrelado
Doce de abóbada
Cúpula e pedestal
A moça que segura o bebê
Olha da varanda da sacada
O calçamento que faz as estradas
São três flechas cruzadas
Sobre o peito
Ladeadas por golfinhos bailarinos
Confeitos de espelhos na escada
É do largo que o canto vinha
Dos quilombos no meio da mata
Um senhora dava corda no chafariz
O relógio já marcava aquela hora
Imagem que converge olho por olho
Silêncio que emerge do calabouço
Açoitado pela agressão da violência
Onde não sobram casas para todos
Solidão é a questão que me impele
Nessa cidade cosmopolita e colonial
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