A tarde enaltece como rouxinóis
O sabiá canta para entardar a noite
Ciscam tico-tico para aflorar as pedras
E as andorinhas rodeiam em voo para fazer o verão
Lendo Manuel de Barros aprendi que:
Se eu for tão bom como uma pedra
Posso ser umbral em pedra de cantaria
Ou um poema de João Cabral de Melo Neto
O eco das pedras ausculta o coração da gente
E os matinhos floridos dizem oi aos passantes
Se me piscam eu sofro como sapo que não canta
Cigarras são boas no que fazem e cantam bem em sí bemol
A busca por ascender é constante
A vigília do pico de onde se alto vê
O longe e o distante dialogam
Com o imenso e o vasto
O alerta do horizonte avista uma nesga de fumaça
O céu abre e o entardecer padece
Onde se alcançam as luzes cintilantes da cidade
Como os olhos são levados pelos pássaros
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