Batamos palmas para espantar os corvos
E façamos brinde aos que me querem ver humilhado
Aplandamos os que me querem ver como os porcos
Pois se eu fosse Judas não teria sido mais malhado
Salvemos os louros para aqueles espirituosos
Que quando eu fui cachorro-morto me chutaram
Que quando precisei de carinho me pisaram
E para você que me coroou com ramos espinhosos
Batamos palmas pois os urubus se amontoam
Em torno do que resta do meu decrépito corpo
E saudemos um viva para aqueles que não perdoam
Quando já ferido e fraco não me finjo de morto
Desejemos toda sorte aos que têm-me enxovalhado
E aos que me enganaram por meios auspiciosos
Reservemos toda a glória aos fortes e impiedosos
Que não sentem remorso por terem-me achincalhado
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